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Nordestina

Nordestina

Por Eduardo Vieira

Convalesço por paixão não correspondida — na verdade ainda não mandei correspondência —, mas prevejo desgraça; também não é só paixão, é amor ou um incontrolável instinto natural que me impele a desejar a vida eterna ao lado de uma mulher de tanta graça, que tanto me engraça. Falta um tico de malandragem.

É dessas mulheres difíceis que não dão o braço para entorse. Tem sangue nordestino — não tenho certeza, mas parece; é um estupendo exemplo de beleza da nordestina! Além de ser compacta, concentrada, guardando em seu frasco a essência da qual quero me perfumar. Ah, como eu quero o calor dessa nordestina em meus braços.

Pena, a distância entre nós não é diminuta, enxuta e graciosa, não se contenta no intermédio: vai explodindo para o extremo oposto, sendo longe, complexa e perturbadora. Além do infeliz capitalismo de distância na locomoção, que me restringe a horas esmigalhadas dum único dia na semana, onde a atenção se desdobra no importante estudo. Como faz?

Lembrando sempre do impedimento capitalista… é nessas horas, por amor que não pensa, que um homem conjectura tragédias sociais para remover as barreiras que forem.

Ah, essa nordestina.

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5 thoughts on “Nordestina

  1. Pingback: Nordestina | Contos e Crónicas | Scoop.it

  2. Ivani Medina on said:

    Sempre o amor, que seja sempre assim enquanto vivermos. Vixi coisinha arretada de sentir. Achei o teu conto pai d’égua.
    Abraço e parabéns, Eduardo.

  3. Sérgio Werneck de Figueiredo on said:

    Isentei-me das tais imposições do capitalismo e, mesmo sem passagem, voei.
    Em instantes, senti o vento quente marinho que balançava aquela saída de praia e mostrava um pouco mais de um lindo corpo dourado pelo sol da tarde.
    Um beijo agridoce, com sal a gosto, me fez relaxar na areia, como se aquela boca fosse um travesseiro de um sonho sem fim.
    Em outro instante estou aqui de volta, diante dessa máquina, numa tarde fria de Petrópolis, para te dar os parabéns pela minha viagem.
    Se eu fosse Billy Blanco ou Tom Jobim eu a chamaria Tereza, Tereza da praia!…

  4. “E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama…” – Vinícius sabia das coisas rs.

    O amor é um sentimento inexplicável, muitas vezes dói, mas passar pela vida sem ele seria o mesmo que não viver. E sonhar faz parte!

    Seu texto é quase uma poesia..

    Sandra F.

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