Regresso a casa

Regresso
Por José Sousa
Que raio de altura foste tu escolher para viajar. Sempre soubeste que nunca te reconheci o mínimo sentido de oportunidade, mas desta vez, até mesmo pelos teus cânones, passaste as marcas, não viste as linhas, lixaste os limites, não quiseste saber de fronteiras.
E agora o que é que fazes… invocas o teu eterno amor pela Grécia antiga e apanhas um avião para Atenas.
Ora francamente. Achas que ainda enganas alguém. Atmosferas do parténon, o tanas. O que tu queres é pôr os calções e os óculos escuros para te descontraíres numa confortável esteira de um tombadilho de veleiro no Egeu. O som compassado da ondulação contra o casco, o gin servido por sacerdotisas, as arribas de Santorini ou as areias de Mikonos ao alcance dos olhos.
O limite do prazer é a nossa decência, não o sofrimento. Já o sabias. E não vais querer que, agora, ao fim de todos estes anos, eu comece a duvidar da tua capacidade de fixar frases.
Convinha-te, não era, meu lindo. Estafas toda a gente com máximas, credos, princípios, meios, fins e, tudo espremido, rodeias-te de pitonisas para te lerem o passado. Bravo.
Fui eu que fiquei espremida, mais ninguém. Mais ninguém. Ouviste.
Quando eu mal andava, tu corrias. Quando eu comecei a correr, tu voavas. Quando tentei voar, mordi o pó. O pó. Ouviste.
O teu pó. O pó que levei a Atenas.
E agora que não estás aqui, que nem o meu pai aqui está, o que vou eu fazer. Com que peito enfrentarei o entardecer, que direi eu à lua, aos lençóis, às estrelas e toalhas agora que já nem obedeces às leis da gravidade.
Detesto o teu cheiro.












O pó e o cheiro são das coisas que mais história têm…e são duas das coisas que nunca podemos “sacudir” de nós…
Gostei desta viagem
Beijos
Olá Lenore, boa tarde. Estou completamente de acordo consigo, não são passiveis
de sacudir. Por vezes serão auxiliares, outras tantas entraves. Não sabendo a sua opinião, eu diria que ainda bem, quanto mais não seja porque assim o desafio de
caminhar torna-se interessante. Um beijo carinhoso para si.
A cumplicidade do amor faz toda a diferença entre o bem querer e o ódio, entre o sentir-se leve para voar e o deixar voar, ou saber-se uma âncora estática, com ódio de si e do outro.
O pior dos cheiros pode ser bom, até excitante, assim como a melhor das essências pode nada dizer e até incomodar.
O olhar, a disponibilidade e a disposição mudam. Enfim, tudo muda com o amor que temos, e só assim, poderemos dar.
Bon voyage!
Olá Sérgio, boa noite. Perdoar-me-à o laconismo, mas a realidade é que nada tenho a acrescentar a estas suas palavras. Direi apenas que é verdadeiramente um prazer contar com a sua presença e opiniões no que vou fazendo. Um caloroso abraço para si.
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Bem, não deixa de ser uma saida, honrosa ou não ,,,,
Olá Joselito, boa tarde. Nas palavras de uma amiga ” nada melhor do que uma batalha de almofadas”. Muito obrigado e uma boa semana para si.