Resistência e rasgo
Por José Sousa
Não te tem sido fácil, bem sei. Nem nada, nem nunca, o é. Mas, de alguma forma, consegues fazer com que o pareça. Ensina-me essas palavras mágicas que usas vezes e vezes sem que nunca se gastem. São muito mais poderosas do que estas que sinto e escrevo.
O discurso sobre o estado da nação que a empresa te pediu para ontem. Feito, corrigido e entregue. O miúdo que acordou com chichi. Lavado, incentivado e a dormir. Os restos mortais do jantar. Separados, encaixotados e despachados para o frigorífico na esperança de uma ressurreição.
A miúda que se pintou a ela, aos espelhos e azulejos da casa de banho com os teus batons e outras tintas de interiores. Tratada por “você” enquanto limpava, perguntando porque sorrias e mandada para a cama sem o copo de leite que a tradição manda. E depois, claro, ainda eu.
Pois, eu; bom, eu tento. E este tento nada tem de fugidio, tu sabes. Estou ao teu lado, aqui um passo à tua frente, ali um atrás de ti. Mas sei, sei-o mesmo, que não sou eu o maratonista.
A mim, o rasgo. A ti, a resistência.
Gosto de te observar assim, deitada, serena, tranquila. Por favor não acordes. Gosto de sentir que não ouve o turbilhão do ontem e que a tempestade do amanhã demorará a chegar. Só aqui, na ressaca das minhas madrugadas de escrita, quando me deito ao teu lado, isso se torna possível.
Estou-te profundamente grato pelo que me dás, pelo que me deixas dar-te e, até, pela consciência do que nunca te serei capaz de dar.
Para rasgo e resistência ou resistência e rasgo não está mal, pois não.
Não respondas. Peço-te, descansa.













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Talvez o pensamento sereno e tranquilo
precisa de um sussurrus as sõs descrevendo
do dezerto á realidade, dizendo dos teus sonhos
O que é real em si-mesma,, mostrando que tudo é
Igual, mesmo sendo de auto nivel! mais mostrando
Acima de tudo á singelidades da vida e do ser,em
si-mesma,, mostrando que tudo é perfeito, mesmo
O que aparentimente se mostra diferente,, do seu cotidiano
Natural!! Bom por mais é isso aiiie!! bom dia lindo dia pra voçê!!
Olá Miguel, bom dia. Agradeço profundamente as palavras que aqui me deixa. Um excelente dia também para si. Um abraço.
José
A poesia do cotidiano belamente homenageada. Quanta delicadeza. Parabéns e muito obrigado por mais esta.
Olá Ivani, como estás? Pois, o quotidiano: uma besta negra, é o que é. Entre resistências e rasgos alguém escapará. Muito obrigado, meu amigo. Bom fim de
semana e um forte abraço.
Caro amigo José
A mesmice do dia a dia pintada com as cores poéticas de uma mente de bem com a vida, e é claro com a poesia.
Um forte abraço
Caríssimo Antonio, muito obrigado pelas tuas palavras e pela tua presença. Lá
teremos de nos esforçar para injectar na mesmice algo de gratificante para nós.
Um abraço, um excelente fim de semana para ti e para os teus.
Saber valorizar a resistência com naturalidade é algo louvável. Parabéns, José, por este lindo texto.
Abs.
Olá Letitia. Que fazer quando confrontados com qualidades que nós possamos não ter ou ter mas não na medida em que o desejávamos. Admirar ? Desprezar ? Menorizar ? Dominar ? Fiquei com dor de cabeça. Um beijo e bom fim de semana para ti.
Bonito, José Sousa.
Isso sim é curtir o momento, namorar a vida.
Como tudo o que acaba por valorizar a vida são momentos…
Boa tarde, Sérgio. Penso verdadeiramente que o seu comentário tudo diz: conseguir extrair de cada momento o respectivo valor. Fruição de vida. Agradeço-lhe o contributo e o testemunho. Um abraço e um bom fim de semana.
Ei José
Confesso que admirei a essência com que escreve este texto, embora não devia pelo que já conheço das letras do autor. O que comentar ? até nisto ha resistência…rsrs…como sempre gosto do que escreves…
Adorei..Lindo texto..
Beijos
Bom dia, querida Cecília. E eu confesso que fico sempre muito feliz quando te
dás ao trabalho de me deixar linhas tão carinhosas como estas que aqui deixas.
Obrigado e um bom fim de semana.
Oi querido.
Li, gostei, votei e compartilhei.
Depois volto para comentar.
Beijo.
Olá Beth. Vindo de ti ” li, gostei” é muito mais que suficiente e, para mim, motivo
de profunda alegria. Um grande beijo para ti.
Este texto mais parece uma simples canção, a todos aqueles que resistem, quantas vezes em vão, e aqueles que se rasgam, quantas vezes ficando em pedacinhos.Este texto mais parece um tributo a todos aqueles que resistem, julgando-se no caminho certo, onde apenas se revigoram, bebendo os rasgos, daqueles que dão o que sabem e querem dar.Entre a resistência e o rasgo, algures, há-de existir um sentido, quem o souber encontrar, há-de ou hão-de descansar, finalmente.Este texto, também pode ser uma mostra de perfeita complementaridade entre dois seres, coisa nem sempre habitual, nos dias dos sobreviventes.Este texto pode ser tanta coisa e pode também ser, apenas um texto para quem o escreveu e um referencial de sobrevivência, para quem o lê.
Parabéns ao autor.Se o rasgo é seu, força sempre, para si! Seja qual for a direcção da resistência ou o sentido do rasgo.Um belo texto, um referencial de sobrevivência para mim, foi isso que senti, ao le-lo.
Boa tarde, clara-mente. Apreciei imenso este seu comentário. Obrigado pelo
incentivo que me deixa. Um abraço.
Me pareceu uma confissão de amor. Bem sei que ocorrem estes encontros de madrugada, entre nossos egos despertos mas acalmados pelo silêncio e aqueles adormecidos, a quem podemos então admirar, sem pudor de nos sentir gratos. É como se nada pudesse nos impedir de nos embalar ao som de música e poesia, numa dança, num abraço com aquele a quem decidimos amar. Bonito isto. Psiu…silêncio… o momento é delicado… cuidado para não despertá-la a não ser com um sutil carinhar…
Vera, penso que colocou muito bem a questão: o indicador colocado na vertical mesmo em frente aos lábios e ao nariz. Um enorme sorriso para si.